CAPITULO 1
Meu
nome é Cicilia Castelino, atualmente eu tenho 16 anos. Diferente de muitas
pessoas, minha história não começou no meu nascimento, minha história o que
define o que eu sou hoje começou antes mesmo de eu nascer. E o que eu sou, é
SOLITARIA. Muitos filmes mostram a história de pessoas solitárias e sem amigos,
mas o que esses filmes não mostram, é como, realmente é triste você se sentir
sozinha.
Mas então, voltando a história antes
do meu nascimento, que me fez ser a
SOLITARIA que sou hoje; é a linda (mais ou menos) história de amor (mais ou
menos) da minha e do meu pai. Bom, pelo menos a história que meus tios me
contam.
Essa linda história de amor foi um tanto
polemica para época. Minha mãe tinha apenas 16 anos quando conheceu o meu pai,
e ficou gravida, e meu pai já tinha 30 anos. Para complicar ainda mais a
história, minha mãe era rica, de uma família famosa e tradicional, e morava em
uma linda e enorme casa. E meu pai era seu empregado na mansão de sua família.
Ele trabalhava cuidando dos jardins da casa. Nas fotos do meu pai, apesar de
ele já ter passado dos 30, e ser um sujeito bem barbudo, ele era um cara
bonitão e tinha um sorriso muito bonito. Ele e minha mãe acabaram se
apaixonando. Mas a família de mamãe não gostou nem um pouco de saber que sua
única filhinha namorava com o empregado, que ainda tinha quase idade para ser
seu pai. E mandou papai se afastar de mamãe, e até ameaçaram prender ele, pelo fato de mamãe ser menor de
idade.
Eles se afastaram. Mas 10 meses
depois, papai descobriu que mamãe tinha ficado gravida e tido uma filha dele.
Ela simplesmente bateu na porta da casa dele, comigo no colo, com apenas um mês
de idade, dizendo que não ia poder ficar comigo. Ela não deu mais nenhuma
explicação, nem disse o porquê, apenas falou que não podia ficar comigo e que
era para nós dois ficarmos longe dela.
Durante cinco anos eu morei apenas
com o meu pai no seu pequeno apartamento. Não tínhamos muitas coisas dentro de
casa, mas papai era divertido, brincalhão e sempre muito carinhoso, então eu
sentia como se não me faltasse nada. Até
que um dia ele foi até o supermercado pertinho da nossa casa e morreu atropelado. Depois
disso eu fui morar com minha única tia por parte de pai, e seu marido gordinho
e bigodudo que parecia mudo diante das ordens e desordens da minha tia e com
suas lindas, loiras e mimadas filhas gêmeas, minhas primas que tinham a mesma
idade que eu.
Titia não gostou nem um pouco de ter
que ficar comigo. Sua vida já era perfeita, tinha uma casa enorme, um marido
que fazia todas suas vontades, e duas filhas lindas e idênticas. Não precisava
cuidar de uma sobrinha desajeitada e totalmente diferente do padrão da família.
“Alguém que os pais tinham se livrado e jogado para minhas costas” como ela
vivia se referindo a mim, e também “ típico do meu irmão folgado” pelo visto
ela também não gostava muito de papai.
Aquela havia se tornado minha única família, mas
nem um deles me considera da família. Minhas primas tinham quartos enormes para
cada uma, eu tinha uma cama, um armário pequeno e um abajur na antiga
lavanderia que eles transformaram em meu quarto. Nunca ganhava roupas novas. Apenas
ficava com as roupas que não serviam mais nas minhas primas que eram bem mais
altas, e mais gordinhas do que eu ( o que não é muito difícil, já que sou bem
magra e baixa). Minhas primas também não gostavam de mim, elas herdaram o ódio
e o egoísmo da minha tia. Elas nunca deixavam eu brincar com elas ou com seus
vários brinquedos, nem mesmo quando traziam algumas amigas em casa eu podia
brincar com elas. Todos os anos, nas férias das minhas primas a família viaja
para algum lugar, mas sempre se esqueciam de me comprar uma passagem ou diziam
que não tinha mais lugar no carro.
Nesses momentos que eu me sentia
completamente excluída e sozinha, eu imaginava como seria se minha mãe não
tivesse me abandonado. Se ela tivesse lutado pelo amor que sentia pelo meu pai,
e principalmente, tivesse lutado por mim.
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